Sim, irrigar capim dá lucro!-13/06/2012

Seca no Ceará, áreas irrigadas, conhecimento tecnológico, produção leiteira e uma polêmica: é viável irrigar áreas com capim? O questionamento foi feito e a resposta, fundamentada em dados que comprovam a eficiência da pecuária leiteira e o retorno financeiro desta atividade. Nos 13 perímetros irrigados no Estado, do total de R$ 116 milhões de renda bruta (VBP), 13% vêm da pecuária, 54,7% desta, da produção de leite.

Os números foram fornecidos pelo atual assessor da presidência da CBL Alimentos Betânia, Zuza de Oliveira, oriundos do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS). A certeza sobre o incremento da produção de leite em área irrigada é amparada pelo crescimento do pastejo irrigado no Ceará que, nos últimos 10 anos, tornou-se o mais competitivo do Nordeste.

Atualmente, o custo de produção em sistemas intensivos à base de pastagens gira em torno de R$ 0,48 a 0,60 por litros de leite, evidenciando a eficiência do modelo de produção. Com preço de venda de R$ 0,90/litro de leite, a atividade leiteira é uma das mais rentáveis do setor agropecuário. “Estamos falando de receita líquida de, pelo menos, 6 mil reais/hectare/ano, superior a muitas culturas, inclusive da área de fruticultura”, afirma Raimundo Reis, sócio diretor da Leite & Negócios Consultoria.

Zuza reuniu dados, expôs a realidade e afirmou que irrigar capim para produzir leite é, sim, avanço para o agronegócio cearense. Em um programa de rádio, em um quadro sobre Economia, o jornalista Nazareno Albuquerque questionou a irrigação de capim em áreas onde poderia cultivar frutas. Para Zuza, a falta de informação pode ter levado às considerações do jornalista.

Entre os dados disponibilizados pelo assessor da Betânia, está a concretização de uma nova economia rural, fortalecida por empresários do Ceará e do Brasil. “Hoje, uns 20 pivôs de 50 ha estão implantados ou em implantação no CE, visando à produção de capim e milho irrigados para forragem animal, destinados à produção de leite”, afirma Zuza, em carta técnica enviada ao jornalista. A necessidade – e viabilidade – da irrigação de capim se mostra ainda mais forte diante da seca no Estado este ano.

De acordo com levantamento da Betânia, junto aos seus 3.044 produtores fornecedores de leite, por falta de alimento (capim nativo e/ou irrigado), 60% dos animais machos, 25% das vacas novilhas e 10% das bezerras já foram ou serão vendidos. Foi verificada uma queda em torno de 30% na produção de leite. “Dos 2, 6 milhões de bovinos do Ceará, em torno de 1,25 milhão são de vacas e novilhas que precisam ser alimentadas com forragem até fev.13 para não serem vendidas para abate”, afirma Zuza, na carta.

Ainda de acordo com Zuza, a produção de silagem de milho na chapada do Apodi, no perímetro irrigado do DNOCS, em Limoeiro, já tem 10 anos de experiência e, hoje, produz 60 t por ha/safra, podendo fazer três safras ano. Da área total irrigada, hoje, mais de 2.000 ha são terras que já foram utilizadas para plantio de melão e abacaxi. Mais de 50 “carradas” de silagem sai por dia para alimentar os animais de todo o Nordeste.

Os números evidenciam a viabilidade da atividade leiteira. Raimundo Reis ainda lembra que a produção de capim irrigado não é uma cultura “fim”, e sim um meio para se produzir o leite e a carne, alimentos nobres e de grande valor nutricional.

Para conhecer, na íntegra, carta técnica enviada por Zuza de Oliveira, assessor da Betânia acesse: Carta Técnica de Zuza de Oliveira sobre pastejo irrigado no Ceará

Alexandre Fontelles
Fonte: Núcleo de Comunicação -Fortaleza – CE