O Laço está no sangue de Juninho Testa(Adriane Passos)-06/04/2014

Filho do inesquecível campeão de Laço, Testa, Lucinei Nunes Nogueira Junior (Juninho Testa), 23 anos, vem se destacando na modalidade. Nascido no interior de São Paulo, em Presidente Prudente, ele desde que nasceu tem contato com a modalidade, já que o pai era laçador.

Seguindo os passos do pai, Juninho chegou longe com suas laçadas. Hoje ele compete no berço do mundo Western, no Texas, EUA. Seu foco é o Laço em Dupla (pé), mas também pratica cabeça e Laço de Bezerro. “A paixão pelo esporte vem de criança, a fruta não cai longe do pé. Entrei na faculdade, cursei um semestre de medicina veterinária, mas desisti. Por enquanto quero laçar, depois posso fazer algum curso pra agradar minha mãe”, confessa o atleta.

No Brasil, Juninho já disputou inúmeros eventos da ABQM, rodeios e provas com categoria aberta. Entre os títulos da ABQM, ele possui Congresso, Nacional e Copa dos Campeões. Nos rodeios já se consagrou em Jaguariúna, Americana, entre outros. Sem contar provas de renome no cenário nacional, como a do Issao, onde Juninho foi ao ponto mais alto do pódio sete vezes consecutivas.

“Passei por vários estados competindo nas melhores provas. No Brasil consegui títulos importantes que me fez um profissional realizado. Não posso reclamar, sou grato a Deus. No Brasil ganhei 9 carros, 54 motos e 2 trailers. Mas a maior conquista no Brasil, foram os amigos e companheiros competidores que ai deixei”, afirma Juninho.

A mãe, Eliziane Nogueira, sempre foi a grande apoiadora do laçador, que sempre teve o sonho de competir nos Estados Unidos. Lá, seu grande incentivador tem sido o Fred, “Ele é bem mais que um amigo”, ressalta.

Esta é a terceira vez que Juninho vai ao Texas. “Nas minhas primeiras viagens aprendi muito sobre treinamento de cavalos de laço com o Hobb Schoeder, campeão mundial por várias vezes. Mas não surgiu oportunidade de laçar PRCA que era meu sonho, mesmo porque, na primeira vez eu tinha só 17 anos e é preciso ser maior de 18 pra correr a PRCA”, comentou e disse ainda que em novembro quando viajou para os EUA, ao visitar um amigo no Arizona Robert, acabou conhecendo Jake Barnes, laçador de cabeça 7 vezes campeão mundial que desde menino era um ídolo.

“Sempre acompanhei a carreira dele, tinha vários DVDs. Um amigo canadense, o Scott, fez todo esforço para que eu conhecesse o Jake. Eu e o Jake treinamos juntos e assim surgiu o convite para eu morar com ele e sua família no seu rancho e ser seu parceiro deste ano. Claro que aceitei, dispensei todos os cavalos em treinamento que estavam no meu rancho, conversei com todos os clientes que entenderam minha decisão e aqui estou”, conta Juninho.

O competidor chegou ao EUA no dia 27 de novembro de 2013, afirmou que lá o sistema é diferente, com precisão de horário para começar e acabar as provas. “Não existe virar a noite laçando, o número de inscrição é no máximo três por laçador, boiada com igualdade para todos. Além disso, o profissional é mais valorizado, sempre tem provas aberta e é lindo ver famílias acompanhadas dos avós assistindo rodeio e vibrando com as montarias, as laçadas, tambor e bulldog”, complementou.

Sobre os treinamentos, Juninho menciona que treinam apenas no rancho, e quando viajam para as provas, só competem. Segundo conta, as viagem são longas, chegam a andar 20 horas pra ir à um rodeio laçar apenas um boi. “Foi difícil até mesmo arrumar tempo para essa entrevista, eu estava há duas semanas fora de casa, e a previsão é ficar mais. Geralmente laçamos e já pegamos estrada novamente pra dar tempo de chegar ao próximo rodeio que é mais 12, 15 ou 20 horas de volta”, frisou.

A prova mais importante que conquistou nos Estados Unidos foi a HORKDOG, na cidade de Las Vegas. Segundo ele, é uma prova bastante almejada pelos laçadores, é bem tradicional e até bastante conhecida pelos brasileiros que a assistem pelo DVD, produzido todos os anos. “A premiação foi boa, e me deu condições de continuar a temporada de rodeios por aqui. Outra prova bem conhecida e muita disputada foi Wild Fire Arena, em Saledo - Texas 4° lugar (média de 6 bois)”, disse. Entre os rodeios ele ainda elenca: Rodeio de Logandale – Nevada 1º lugar; Rodeio de Cave Creek – Arizona 1º lugar; Rodeio The American – Texas 3° lugar; Rodeio de Denver – Colorado 3° lugar; Rodeio de Odessa – Texas 3° lugar; Rodeio de Rapid City – Dakota do sul 3° lugar; Rodeio de Forty Worth – Texas 2º no 1° round; “Match Point estão os que mais ganharam mundiais no laço em dupla, como Jake Barnes, Speed William e Clay o´brain Cooper e  eles escolhiam seus parceiros. O Jake me escolheu para fazer dupla com ele. Uma emoção que vivi e jamais vou esquecer, laçando com  os grandes nomes do laço em dupla que fizeram história. Eu e o Jake ganhamos esse match point, que aconteceu junto com o grande rodeio The Americali, mais de 50 mil pessoas estavam assistindo e eu estava lá, representando meu país, foi muito emocionante. Naquele momento me dei conta tinha valido a pena toda luta”.

Sobre os sonhos que ainda pretende conquistar no esporte, Juninho foi enfático ao dizer que já está realizando todos eles. “Sou grato a Deus por tudo em minha vida”.

Ao final da entrevista, ele lamentou o fato do Brasil ainda esconder seus laçadores nos poucos rodeios onde a modalidade ainda é exibida. “Espero que as provas no Brasil voltem a dar mais oportunidades aos profissionais de cronômetro, mais liberdade em realizar rodeios e provas nas grandes cidades de modo que o público possa assistir e vibrar com as laçadas, como é aqui nos EUA. Na maioria dos rodeios brasileiros que ainda fazem laço, os organizadores nos mantém escondidos. Laçamos para um número muito reduzido de público. Uma pena, visto que o Brasil é um país economicamente rural e não poder viver e mostrar essa força que move parte da tradição e cultura do seu povo”, finalizou.

Adriane Passos
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