EQUITANA 2013(Luis Almeida)-28/03/2013

EQUITANA 2013(Luis Almeida)-28/03/2013

A MAIOR E MELHOR FEIRA EQUESTRE DO MUNDO

Bem, pessoal, essa é a última matéria sobre a Equitana 2013. Infelizmente, acabou, mas em 2015 tem mais! Abaixo, procuramos apresentar um resumo do que foi a feira e também da nossa viagem à Alemanha capitaneados pela Universidade do Cavalo e Unibens Turismo, esperando que haja próximos grupos em breve com essa temática de visita à eventos equestres conjugados ao aprendizado obtido em visitas técnicas como as feitas nessa viagem. Já deixo minha vaga reservada!!!

A oportunidade de estar na Equitana 2013 é precedida de uma expectativa imensa, não só pela ida a um país estrangeiro, literalmente de primeiro mundo, mas também por toda a fama que envolve o evento, cujos números em 2011, sua edição anterior, demonstram o quão grande é: mais de  200 mil visitantes de 30 países, cerca de 900 expositores e a exibição de  mais de mil cavalos de 40 raças diferentes.em uma área de 100 mil m² na cidade de Essen, Alemanha

Em 2013, a feira foi dividida em dias temáticos, a seguir abordados individualmente em nosso texto, de maneira a tentar o impossível: descrever para os leitores o dia-a-dia intenso e movimentado desse grandioso evento. De fato, qualquer descrição se torna pequena e incompleta perto da realidade que pudemos observar. Mas, comecemos essa árdua tarefa.

Primeiro dia de feira, 16 de março: dia da criança. A escolha desse tema pelos organizadores foi, sem dúvida, a afirmação do quanto o cavalo está presente na cultura do país, reforçando o propósito de que as novas gerações continuem valorizando esse contato com o mundo equestre, visto que a tradição alemã de excelência nessa área não ser resume apenas a ser considerada a maior ganhadora olímpica e mundial do desporto equestre, mas também ao seu passado distante quando os condados valorizavam o cavalo como fundamental para sua defesa e sobrevivência.

Logo de cara, podemos observar o tamanho da feira: 16 pavilhões repletos de acessórios, vestuário, equipamentos e tudo o que se possa imaginar relacionado ao cavalo, além de picadeiros em cada pavilhão para demonstrações de sucessivas raças equinas, técnicas de domas, adestramento, tudo assistido avidamente por milhares de pessoas comprovando o status do desporto equestre como o segundo de maior  preferência na Alemanha, só perdendo para o futebol. Será que um dia chegaremos lá?

Passamos então todo o dia 16 em missão de reconhecimento, tentando entender o funcionamento da feira e mapear tendo como ponto de apoio principal o stand da Universidade do Cavalo situado no grande espaço reservado ao Brasil, onde se destacava o grande investimento feito pela ABCMM, os brasileiros do Mangalarga Marchador, que trouxeram animais e estão com um projeto ambicioso de internacionalização da raça, tendo como ponto de partida a Europa.

Nada mais angustiante nesse primeiro dia do que segurar a vontade de comprar, visto a imensurável variedade de coisas para cavalo não existentes no Brasil ou, se existentes, com preços atraentes e qualidade ímpar. Mas, segundo o conselho de nossa tradutora e “treinadora” Cláudia Lechonski, resistimos bravamente e acabamos o dia, exaustos, felizes e ainda com alguns euros no bolso.

No dia seguinte, 17 de março, o tema foi a criação. Experts que são em tudo o que se relaciona o cavalo, os alemães dedicam uma atenção toda especial à criação, objetivando a melhoria das raças, ou dos tipos raciais como preferem dizer, fazendo isto desde muito tempo, com apoio integral do Estado, que durante muitos anos teve até a primazia de propriedade dos reprodutores, buscando com isso possibilitar a obtenção de animais de melhor padrão, tornando mais acessíveis aos pequenos criadores que possuíam as éguas, a cobertura de garanhões de maior potencial genético.

Ficamos mais uma vez, o dia todo na feira, verificando as mais diversas máquinas e equipamentos para preparo de pista, fenação, todos de última geração, indo depois ao pavilhão onde estavam expostos os veículos de transporte animal, que iam desde traillers e vans para 01 e 02 cavalos até sofisticados  motorhomes para vários animais, todos com avançado sistema hidráulico, suspensão regulável, em suma, novos sonhos de consumo para nós, brasileiros maravilhados. Depois de almoçarmos uma massa deliciosa preparada no setor destinado à alimentação, fomos a dezenas de stands destinados às roupas equestres, desde a clássica equitação mais praticada na Alemanha, com seus culotes, botas de cano longa, cartolas, fraques, etc até as indefectíveis vestimentas western mais ao gosto americano e também ao nosso costume como praticantes de tambor e baliza. Havia de tudo, a preços convidativos e apesar da recomendação da Cláudia Lechonski já iniciamos nossas compras.

E quando chegou  a noite, tivemos a oportunidade de ver  belo show dos garanhões, com reprodutores de diversas raças ou tipos raciais de diversos haras, inclusive estatais, de várias regiões alemãs, sendo mostrados ao grande público presente, evidenciando todo o trabalho feito para a melhoria genética da tropa germânica, voltada para as modalidades de salto, adestramento, atrelagem e volteio, nessa ordem, as mais praticadas no país, Belos e altos cavalos, apresentados de forma brilhante pelos ginetes alemães, foram apresentados de forma impecável, destacando a habilidade, índole e inteligência dos mesmos para sua adequação às modalidades acima citadas.

E, no dia seguinte, dia 18.03.2013, o tema seria o treino. Nesse dia, a nossa agenda estabeleceu, pela manhã, uma visita ao Centro Olímpico Equestre da Alemanha, pertencente à Federação Equestre Alemã, entidade máxima do cavalo no país. Com o auxílio luxuoso do Aluísio Marins e da Cláudia Lechonski que fizeram todas as traduções pudemos ver de perto toda a magnífica estrutura do local, assim como participar de uma detalhada palestra sobre como é a organização do desporto equestre, onde a Federação abriga todas as modalidades e associações existentes no país, promovendo de forma racional e planejada com definição de metas, o crescimento e organização do setor, responsável por todo o destaque que a Alemanha tem tido nas diversas competições equestres, dentre as quais, os mundiais e os jogos olímpicos.

À tarde, após almoço delicioso em restaurante situado na zona central de uma pitoresca cidade alemã de belas igrejas, fontes que mas parecia uma bela praça, fomos ao haras estatal da localidade, onde fomos recebidos por dois funcionários que levaram todo o grupo a uma visita minuciosa e explicativa em todas as dependências do haras. Magníficos prédios e pavilhões de baias extremamente limpas e funcionais nos mostraram todo o diferencial com que é tratado o negócio da equinocultura pelo estado alemão, onde apesar de subvencionado, o haras tem que gerar mais de 65% da sua receita com venda de coberturas, etc para poder receber o percentual restante das entidades estatais. Outra curiosidade é a maciça presença de mulheres nos trabalhos do haras, principalmente no trato e manejo dos animais, o que nos foi confirmado pela simpática senhora que acompanhava a nossa turma, como verdade absoluta, pois apenas 25% da mão de obra do setor é masculina, sendo de 75% o percentual de mulheres que lidam diariamente com a lida equestre, desde a montaria propriamente dita até o manejo diário do animal.

Sem dúvida, essas visitas foram bastante proveitosas, demonstrando a todos nós toda a capacidade dos alemães em gerir esse esporte que, tratado desse modo, só vem comprovar que planejamento, trabalho duro e amor ao que se faz, constituem a receita eficaz para a obtenção de resultados no esporte de alto nível. Mais uma vez, verificamos o acerto da programação montada pela Universidade o Cavalo e Unibens, pois saímos bastante impressionados com o que vimos e, de maneira inevitável, traçando um paralelo com a realidade brasileira.

No dia 19, a feira teve como tema o dia da atrelagem. Tivemos todos o dia livre, com programações paralelas como visita ao centro da moderna cidade de Essen, à Dusseldorf e ainda à Amsterdam, na Holanda. Vários subgrupos se formaram e todos praticamente foram conhecer e aproveitar os encantos desses locais, não se esquecendo de se vestir adequadamente para enfrentar o frio rigoroso que estava fazendo. Mas, a despeito de nossa ausência, a feira continuava a todo vapor!

Dia 20, o dia do cavalo do esporte. Entusiasmados que são pelo desporto equestre, os alemães buscaram destacar no evento, além das suas modalidades tradicionais, outras modalidades esportivas, notadamente, as de conotação western que pouco a pouco vem sendo praticadas também na Europa. Apesar de ser um dia livre também para nosso grupo, Alguns preferiram retornar à feira, passando o dia praticamente no pavilhão dedicado à temática western, onde se faziam presentes as associações americanas e alemãs do cavalo apaloosa, painthorse, quarto de milha, dentre outras, com demonstrações seguidas de cavalos e cavaleiros no picadeiro do pavilhão. Essa presença americana só vem demonstrar a importância da feira no cenário mundial, pois é certo que os americanos não estariam lá se não fosse um evento  tão grande significado no cenário equestre mundial.

A noite do dia 20 foi, sem dúvida, a mais sensacional: Hop Top Show, com uma abordagem sobre as manifestações folclóricas de diversas regiões do mundo. Tivemos a honra de ter na abertura o samba brasileiro com o pessoal do Mangalarga Marchador, que representaram brilhantemente o nosso país arrancando calorosos aplausos da imensa plateia presente. Juntamente com a apresentação do folclore de diversas culturas de todo o mundo, pudemos também presenciar fantásticas demonstrações de habilidade, destreza e arrojo de cavaleiros e cavalos dignas de um Cirque Du Soleil.

Não há como não se emocionar ao ver, por exemplo, a magnífica entrada do Lorenzo, literalmente “a bordo” de dois cavalos, em pé, sem qualquer embocadura, rédea, etc, de onde comandava a apresentação de até 20 cavalos, todos completamente livres, e suas evoluções no picadeiro. Ao final, todo o público aplaudiu de pé, maravilhado com aqueles momentos únicos proporcionados pela inesquecível apresentação do grande Lorenzo. Foi realmente o grande show da Equitana 2013.

E no dia 21, o dia era dedicado ao western. Em atividade paralela previamente agendada pela UC e Unibens fomos até Colônia, uma das mais importantes cidades da Alemanha, situada à margem do Rio Reno, onde pudemos apreciar a sua bonita arquitetura, seus monumentos impressionantes e também a sua fantástica Catedral, umas das maiores de todo o mundo.

Na parte noturna, nos esperava mais um show imperdivel: Pat Parelli! Ao contrário do tradicional espetáculo solo, Pat Parelli se apresentou com Cristopher Hees, treinador chefe da Federação Equestre Alemã, ligado à equitação clássica. Na apresentação, sua esposa, Linda Parelli dialogou cerca de 02 horas com Cristopher, intercalando entradas de cavaleiros de adestramento e do Parelli Team, buscando mostrar que a equitação natural e a clássica  próximas uma da outra e que podem se complementar, dando a Pat Parelli a oportunidade de demonstrar como conseguir um cavalo de adestramento feliz e saudável, através da explicação do seu método baseado no entendimento da linguagem e da personalidade dos cavalos.

O público numeroso que compareceu à arena principal, pode ver e entender perfeitamente (sendo o único show com tradução simultânea para o inglês) o paralelo entre as duas equitações, principalmente com a demonstração ao vivo de diversos cavaleiros e amazonas do adestramento que, junto com os números emblemáticos apresentados pelo Parelli Team, proporcionaram a todos a possibilidade de entender não só a máxima da equitação clássica, com as requintadas técnicas do adestramento, mas também e, principalmente, com a equitação natural em sua maior expressão: o cavalo feliz e saudável, respeitado em sua personalidade e compreendido através de sua linguagem é, sem dúvida, o melhor cavalo para qualquer modalidade equestre.

No dia 22, a feira teve como tema do dia a equitação.Como era dia livre para nossa delegação, optamos por sair da Alemanha e irmos até Amsterdam, onde pudemos conhecer essa maravilhosa cidade holandesa, com seus canais e sua intensa vida cosmopolita. Fomos de metrô até a estação central de Essen – Alemanha, onde pegamos o trem ICE 223 até Amsterdam, em cerca de 2.30 hs, comprovando a excelência e pontualidade dos transportes europeus. Uma curiosidade acerca de Amsterdam é que 35% do transporte e público, através de ônibus elétricos, aquáticos, trens, bondes e táxis aquáticos, sendo, portanto, até contraproducente a compra de carros particulares pelas características da cidade.

No dia 23, todos à Equitana 2013, no dia dedicado ao cavalo barroco. visto que seria nosso último dia completo de feira, já que viajaríamos no dia seguinte para Frankfurt onde pegaremos o voo para o Brasil. Novamente com o clima próximo a zero grau, o grande calor humano dos participantes dos espetáculos realizados em todos os pavilhões da exposição, além daqueles especialmente apresentados ao longo do dia na arena principal, mostraram porque essa feira é considerada a maior e melhor do mundo. Pudemos conhecer pessoalmente Linda e Pat Parelli, que gentilmente conversaram conosco em seu stand e demonstraram grande interesse pelo Brasil. Parte do grupo esteve também com Lorenzo e sua mãe, aproveitando para sondar a possibilidade de fazer um grupo de até 15 pessoas para se hospedar em sua pousada no sul da França, agendando um curso prático com o próprio Lorenzo. Encontramos também com outras celebridades do cavalo, como Frederic Pinõn e sua bela esposa que foram bastante solícitos com nosso grupo de entusiasmados fãs.

E nesse dia, foram liberadas as amarras e todos do grupo se puseram a comprar as mais diversas ofertas que estavam disponíveis nas centenas de stands. Como acertadamente disse a Cláudia, os preços estavam mais baixos e todos puderam aproveitar para adquirir produtos de excelente qualidade a preços realmente convidativos, forçando a todos, indistintamente, a comprar novas malas para acomodar todas as novidades que estavam levando ao Brasil. Os mais precavidos haviam levado uma balança manual própria para aferir o peso da bagagem, que passou de mão em mão para prevenir eventuais excessos a serem pagos quando do despacho das malas.

E o dia 24, chegou. Final de feira para nós já na parte da manhã quando teremos o check-out do ultramoderno hotel onde nos hospedamos e a arrumação das últimas malas com as muitas compras efetivadas. Porém, ninguém resistiu a uma última ida a feira, como que para se despedir desse evento inesquecível que tivemos a oportunidade de vivenciar. Mesmo com a feira superlotada, alguns ainda aproveitara para uma derradeira compra e até para almoçar uma típica comida alemã, que diga-se de passagem, era quase sempre de excelente sabor. E, pontualmente, às 14 horas, nosso ônibus saiu, rumo a Frankfurt, onde pegaríamos nosso vôo de retorno ao Brasil, cheio de brasileiros, amantes do cavalo, com uma grande satisfação de ter estado na Equitana 2013 e praticamente todos com uma grande certeza: em 2015 tem mais!!!!

Luis Almeida,
Empresário, é proprietário do Haras 4 Irmãos, especializado em cavalos das modalidades de tambor e baliza, localizado na cidade de Raposa,  Estado do Maranhão, foi, gentilmente, nosso dublê de repórter na Equitana 2013, possibilitando aos visitantes do MidiaCountry essas informações da maior feira de cavalos do mundo.