3o.etapa do Circuito Cearense de Tambor e Baliza 22/06/2010

3o.etapa do Circuito Cearense de Tambor e Baliza

A penúltima etapa do I Circuito Cearense de Tambor e Baliza mostrou aos organizadores o porte real de seu atual universo de competidores. Ficou explícito quem são os verdadeiros responsáveis pelo bom momento hoje vivido no Ceará nestas modalidades equestres.

Aqui não irei listá-los, pois conforme dito pelo filósofo grego Aristóteles: “A grandeza não consiste em receber honras, mas em merecê-las”. Os que estiveram presentes ao evento os viram trabalhando arduamente pela continuidade do sucesso destas modalidades em nosso estado. Atuação discreta, quase anônima, característica própria das pessoas legitimamente empenhadas.

Conforme outrora comentado, é relativamente fácil atrair competidores, esportistas motivados exclusivamente por interesses pessoais. Prêmios elevados, provas estruturadas e confortáveis, eis a receita padrão comumente utilizada. Mas agrupar pessoas com visão coletiva, dirigentes que não necessariamente ocupam cargos de direção, postura altruísta, é algo bem mais difícil.

Foi justamente este o objetivo no Ceará. É importante sempre recordar este propósito. Não é nada fácil a manutenção da harmonia, da superação pessoal que teima em nos direcionar para os interesses individuais, esquecendo o coletivo. O extremo esforço pela serenidade, não cedendo espaço para atitudes emotivas, conselheira inábil nos relacionamentos. Por isso, rendo minhas homenagens a todos aqueles que estão verdadeiramente dedicados a este projeto belíssimo que permitirá as gerações futuras colherem ótimos frutos.

Normalmente se deseja um mundo melhor para os filhos. Ledo engano ! As pessoas esquecem que o verdadeiro empenho tem que ser o inverso; trabalhar para o mundo ter filhos melhores. E as crianças aprendem pelo exemplo, pela observação, eis a nossa responsabilidade. Paradoxalmente, é justamente nelas que devemos nos espelhar. Pois naturalmente vivenciam na essência o genuíno espírito esportivo. A razão que nos manterá duradouramente motivados a reuniões periódicas.

Neste último encontro não tivemos aumento de inscrições, algo previsível. Todo crescimento sustentado necessita de tempo para maturação, caso contrário, a infra-estrutura montada não absorverá a demanda adicional. Um crescimento de 456% na quantidade de conjuntos em um ano de atividades é mais que satisfatório.

Também não ocorreu quebra de recorde. Igualmente compreensível, afinal, a evolução técnica de competidores e equinos seguem um ritmo gradual. Não estamos comprando animais já treinados em Tambor e Baliza, pelo contrário, nossa tropa é praticamente 100% feita no próprio estado.

 A premiação ofertada seguiu o padrão mensal que estamos praticando em 2010; R$ 5.000,00 distribuídos nas modalidades de Seis Balizas e Três Tambores e duas motos para a categoria Tira-teima nos Três Tambores.

 Neste 1º.semestre a NBHA-Ce realizou cinco provas, sendo duas soltas, oferecendo um total no período de R$ 65.000,00 (sessenta e cinco mil reais) em prêmios. Registramos 687 (seiscentos e oitenta e sete) inscrições exclusivamente de competidores cearenses, com todas as provas sempre realizadas com uma única passada.

 Não temos pressa alguma em atingirmos o patamar dos grandes centros equestres. Nossa opção é o desenvolvimento sustentado. Atingiremos, é uma questão de tempo. Mas não almejamos um elevado nível técnico de poucos competidores e chefes de equipes, que naturalmente seriam obrigados a migrar suas atenções para as atuais grandes praças, deixando um hiato com os demais competidores locais. O sucesso obtido desta maneira seria fatal no médio prazo. Evoluiremos gradualmente e coletivamente. Não queremos o bom êxito nos forçando a sermos visitas em terras distantes.

 Comprovando que não estamos sozinhos neste pensamento, recebemos a agradável visita de Alexandre Ribeiro, potiguar residente em Natal. Assistiu a prova atento a tudo, conversando demoradamente conosco. Conforme por ele externado, nossos irmãos do vizinho Rio Grande do Norte desejam igual modelo de implantação do Tambor e Baliza, razão de seu comparecimento ao evento.

 Elogiou bastante o apoio dado por nosso Governo do Estado, Secretaria do Esporte, bem como dos empresários Rafael Leal, Cláudio Rocha, Eduardo Sales, Marcos Lima e Joseron Vasconcelos, que patrocinam o Circuito através de suas respectivas empresas; Haras Primavera, Haras Claro, Nordeste Telecom, Integral Mix e Renovadora Nordeste.

 Ficou bastante feliz com a constatação que é possível conciliar a competitividade com a fraternidade. Embora ciente que a tarefa é árdua, exigindo extremo esforço e desprendimento de cada um dos líderes, formadores de opinião, responsáveis pela contínua eliminação de pendengas e desentendimentos imaturos. Está convencido que identificá-los e reuni-los será crucial para a montagem da espinha dorsal que manterá erguido qualquer projeto.

 E vibrou especialmente com a adrenalina da disputa no Tira-teima. Quando Gustavo Souza, o conterrâneo do André Coelho, com seu jeito discreto de caipira paulista e espírito amigo de cabeça-chata, ganhou sua terceira moto consecutiva, desta vez com o 1º.lugar no 1D. Montado em Rosita Zorrero (El Shady Zorrero/Miss Verena ZD), fez a alegria do proprietário, Moacy Maia. Prêmio merecido de quem tem investido intensamente na aquisição de ótimas linhagens, inclusive também apoiando o Circuito, via patrocínio do seu Haras Trapiá.

 Resta dizer que o 1º.lugar no 2D, ganhador da 2º.moto foi o “Rei da Master no Ceará”, o vencedor desta categoria na primeira prova do Circuito Norte e Nordeste de Tambor e Baliza, em Pernambuco. Alexandre Studart, chamado carinhosamente por todos de “Bolota Balboa”, venceu montando Jay Par Chick AP (Lírio Jay/Vitoria Par OP).

 O cearense é conhecido nacionalmente como “comedor de rapadura”, assim, nada mais adequado que finalizar esta narrativa do nosso atual momento com um provérbio bem regional.

 “Rapadura é doce, mas não é mole !”

 Alexandre Fontelles